terça-feira, 23 de setembro de 2014

A FRAQUEZA HUMANA E O PODER DE DEUS.

Muitos querem passar a impressão de que os personagens bíblicos eram verdadeiros “super-homens”, seres lendários, mitológicos e que portanto, impossíveis de serem imitados. Mas ao olharmos mais de perto descobrimos que eles eram bem humanos. Como bem disse Tiago: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos...” (Tg 5.17). Essa verdade poderia ser dita e aplicada a qualquer outro personagem bíblico, como por exemplo, Davi, Jonas, Jeremias, Gideão, Pedro, Moisés etc.
A Palavra de Deus não empurra para debaixo do tapete as falhas dos nossos heróis. Por isso podemos nos identificar com eles em suas dúvidas, temores, fraquezas e dores. Eu particularmente, me identifico muito com Moisés. Esse homem que era culto, educado, bem instruído em toda a ciência dos egípcios (At 7.22), mostrou-se totalmente incompetente ao tentar fazer as coisas do sua própria maneira. Ao ver um egípcio espancando um hebreu, Moisés mata o egípcio e o esconde na areia (Êx 2.11,12). Não duvido dos sentimentos e sinceridade de Moisés em tentar ajudar o seu povo, mas ele descobriria que o livramento não se daria pelas suas mãos e sim pelas mãos de Deus (Êx 13.3; At 7.25).

O plano de Moisés fracassou, o seu crime foi descoberto e agora o Faraó procura vingança, Moisés precisa fugir (Êx 2.14,15). Moisés agora é um fugitivo, escondendo-se nas terras de Midiã. O homem “poderoso em palavras e obras” encontra-se no deserto. Não é um povo que ele conduz, e sim um rebanho de ovelhas. O deserto tornou-se a escola preparatória de Moisés. Durante quarenta anos lá esteve Moisés, cuidando de ovelhas. Porém, Deus não esqueceu-se de Seu servo. Esse período de solidão e serviço fazia parte do treinamento.
Depois de quarenta anos Moisés é chamado por Deus para ser o libertador dos israelitas e é aqui que ele se mostra tão humano como qualquer um de nós. Anos atrás ele agiu impetuosamente, mas agora resiste obstinadamente. Moisés apresenta cinco motivos para não aceitar o chamado de Deus.

1.       “Eu não sou ninguém” (Êx 3.11). Moisés sentiu que ele era inadequado para tão grande obra. Talvez Moisés pensasse: “Eu já fracassei uma vez, tentei ajuda-los, mas veja o que aconteceu. Eu não posso fazer isso. Sou apenas um homem de oitenta anos pastoreando ovelhas nesse deserto escaldante”. Mas Deus lhe dá garantia de vitória quando lhe diz: “Eu serei contigo”.  Isso faz toda a diferença. Não importa se Faraó possuía um poderoso exército, a mão soberana de Deus agiria de forma espantosa e invencível.

2.       “Não sei o teu nome” (Êx 3.12-22). Como representante de Deus, era necessário que Moisés fosse capaz de revelar o caráter do Senhor ao povo judeu.[1] Deus diz que Ele é o Deus soberano que sabe o fim desde o princípio e por isso claramente revela a Moisés o que aconteceria quando ele voltasse para o Egito (Êx 3.16-22). Deus estava no controle. Ele levaria a cabo o que dissera. Moisés poderia confiar no grande EU SOU!

3.       “Os anciãos não crerão em mim” (Êx 4.1-9). Depois de Deus revelar que Ele é o Deus invencível, Moisés ainda insiste em duvidar. “Eles não crerão”, na verdade significa “eu não creio”. Deus acabara de dizer: “E ouvirão a tua voz” (Êx 3.18), mas Moisés teima, discute e contradiz o Altíssimo dizendo: “eles não me ouvirão”. Claramente Moisés está negando uma promessa de Deus. O SENHOR deu três sinais miraculosos a Moisés para convencê-lo de que ele era verdadeiramente o homem escolhido por Ele. Observem que toda evasiva de Moisés é superada por Deus. Ele tenta fugir do chamado, mas é cercado de todos os lados. Ele aponta para a sua própria fraqueza, Deus fala do Seu poder. Moisés olha para a sua pequenez, Deus lhe revela a Sua grandeza.

4.       “Não sou um orador eloquente” (Êx 4.10-12). O homem poderoso em “palavras e obras” continua discutindo com Deus. Observem atentamente a colocação de Moisés: “Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo...” (v.10). Ou seja, Moisés está dizendo que o seu encontro com Deus não fez diferença, não efetuaria nenhuma mudança significativa. Ora, de fato, Moisés não estava entendendo o Deus que lhe enviaria. Se Deus pode transformar varas em serpentes e serpentes em varas, se pode curar a lepra e transformar água em sangue, então pode capacitar Moisés a transmitir sua palavra com poder.[2] Deus faz a Moisés três perguntas retóricas fechando assim qualquer porta que Moisés quisesse usar como justificativa ou desculpa quanto a sua incapacidade de falar.

5.       “Qualquer outra pessoa pode fazer melhor” (Êx 4.13-17). Deus age como Pastor amoroso e paciente, mas Moisés insiste em agir como mula teimosa. Moisés chama Deus de “Senhor”, mas recusa-se a obedecer Suas ordens. “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos mando?” (Lc 6.46). Muitos de nós nos identificamos com Moisés aqui. Dizemos que Deus é soberano, mas somos abalados pelas pequenas vicissitudes da vida. As vezes o nosso credo não sai do papel para se tornar uma força viva e vital. Declaramos com os lábios, mas não demonstramos efetivamente em atitudes concretas.

O que Moisés está dizendo com essa quinta desculpa é o seguinte: “O Senhor está equivocado ao me escolher! Tem muita gente melhor do que eu”. Talvez Deus lhe escolheu para uma obra e você prontamente recalcitrou e disse: “Quem? Eu, Senhor? Mas eu não tenho nenhum diploma. Eu não sou seminarista, não sei falar diante das pessoas, ninguém me levará a sério!”. Agimos assim, porque parece mais fácil fugir do que confiar em Deus. Ainda que seja verdade, ainda que sejamos pequenos, fracos, pecadores, estejamos certos de que o Poder de Deus supera a fraqueza humana.
Quando se trata de servir ao Senhor, em certo sentido ninguém é absolutamente adequado. Ao se referir sobre as responsabilidades do ministério, o grande apóstolo Paulo perguntou: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2Co 2.16). Então, Paulo responde a sua própria pergunta: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3.5).
Nossas fraquezas não impedem Deus de fazer o Seu trabalho. O vaso é de barro, mas o poder é de Deus. Os instrumentos são fracos, mas a mensagem é gloriosa. Deus nunca o levará para um lugar onde Ele mesmo não possa lhe sustentar. Ele conhece as nossas fraquezas, Ele conhece a nossa estrutura, Deus nos conhece melhor do que nós mesmos e precisamos confiar somente nEle. O rei Josafá orou assim: “Ah! Nosso Deus... porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2Cr 20.12). Não pense erroneamente que o seu plano é melhor do que o dEle. Não pense que suas fraquezas são um impedimento para Ele. Deus é vitorioso. Invencível em Seus propósitos. Esteja certo que a fraqueza humana é superada pelo poder de Deus. Moisés disse: “Eu não sou ninguém”. Deus disse: “Eu serei contigo”. Moisés declara: “Eu não sei seu nome”. Deus afirma: “EU SOU O QUE SOU”. Moisés insinua: “O Senhor estará cometendo um erro ao enviar-me”. Porém, o Senhor declara: “Eu vos ensinarei”. Todas as evasivas de Moisés são vencidas por Deus. Esse homem recalcitrante, foi feito um instrumento poderoso nas mãos do Senhor. A Deus seja à Glória. Amém.

Rikison Moura, V. D. M






[1] Warren W. Wiersbe, Comentário Bíblico Expositivo, vol 1. p.238.
[2] Idem, p. 239

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