sexta-feira, 18 de setembro de 2015

UM LEÃO CHAMADO FAREL

William Farel é um dos personagens mais enigmáticos da Reforma Protestante do século XVI. Ele não era um erudito, mas causou uma profunda chaga no coração do papismo. Seus sermões eram violentamente dirigidos contra o “anticristo romano”. Sua coragem é comparável à de Lutero, embora Farel pareça-me mais radical do que Lutero. Ele era como um relâmpago. Ousado, destemido, capaz de colocar a sua própria vida em risco, por causa da verdade.
Ele era incansável na obra de Deus. Viajou por vários lugares da Europa, sempre pregando a Palavra de Deus, de maneira tão dura e direta que era quase insuportável. Por onde quer que fosse não passava despercebido, sempre despertando a fúria dos romanistas.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

TOMBANDO EM MEIO A QUIETUDE

A Bíblia declara em termos enfáticos que os cristãos foram libertos das trevas e transportados para o Reino do Filho do seu amor (Cl 1.13), recebendo assim uma nova vida (2Co 5.17), mas a mesma Bíblia também declara que essa nova vida do cristão não deve ser uma vida marcada pela indiferença, negligência, acomodação e excessivo conforto.
O apóstolo Pedro nos convoca para uma vida de contínua vigilância. Ele escreveu: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8).

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

LUTERO, CALVINO E A PENA DE MORTE.

Em artigo anterior eu mostrei que a pena de morte é bíblica (Gn 9.5,6; Êx 21.12-17; Dt 24.7; Rm 13.4,5;) e que as principais confissões de tradição reformada, refletindo o ensino da Escritura, também a sustentam. Agora eu quero resumidamente expor o que os dois principais reformadores disseram sobre esse tema:
Comecemos por Martinho Lutero. Para o reformador alemão, a pena capital tem o seu fundamento na Escritura. Ele diz: “Devemos conferir um fundamento sólido à lei e à espada temporais, a fim de que ninguém duvide que é pela vontade e pela ordem de Deus que existem no mundo (Rm 13. 1,2; 1Pe 2. 13-14)”. [1]
Geralmente quando começamos a falar sobre esse assunto, apontamos para Gênesis 9.5,6 como o ponto de partida, o início da pena capital, mas Lutero a via muito antes disto.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

AS CONFISSÕES REFORMADAS E O BATISMO INFANTIL

Durante a Reforma Protestante, os anabatistas, também chamada de “ala radical da Reforma”, foram aqueles que se posicionaram contra os reformadores e sua prática de batizar também as crianças. Aqui, quero apenas mostrar o que os reformadores afirmaram em Confissão.
A Confissão Belga afirma:

Rejeitamos, portanto, o erro dos anabatistas, que não se contentam com o batismo que uma vez receberam e que, além disto, condenam o batismo dos filhos pequenos dos crentes. Nós cremos, porém, que eles devem ser batizados e, com o sinal da aliança, devem ser selados, assim como as crianças em Israel eram circuncidadas com base nas mesmas promessas que foram feitas a nossos filhos. Cristo, de fato, derramou seu sangue para lavar, igualmente, as crianças dos fiéis e os adultos. Por isso, elas devem receber o sinal e o sacramento da obra que Cristo fez para elas, como o Senhor, outrora, na lei, determinava que as crianças participassem, pouco depois do seu nascimento, do sacramento do sofrimento e da morte de Cristo, através da oferta de um cordeiro, que era um sacramento de Jesus Cristo. Além disto, o batismo tem, para nossos filhos, o mesmo efeito que a circuncisão tinha para o povo judeu. É por esta razão que o apóstolo Paulo chama ao batismo: "a circuncisão de Cristo" (Colossenses 2:11). [1]

terça-feira, 25 de agosto de 2015

SPURGEON E UM SERMÃO EM CONJUNTO

Li esses dias uma história envolvendo o “príncipe dos pregadores”, o rev. Charles Spurgeon. Essa história não é de segunda mão, mas foi contada por ele próprio. [1]
Ele foi convidado a pregar numa determinada localidade no interior, e como bom inglês, ele era comprometido com o horário, com a pontualidade. Como ele mesmo disse: “Sinto que a pontualidade é uma daquelas pequenas virtudes que podem evitar grandes pecados”. Mas nesse dia, por razões que estavam fora do seu controle, Spurgeon acabou chegando consideravelmente atrasado.
Quando finalmente chegou na igreja, o culto já havia começado, os irmãos haviam cantado os hinos e estava no sermão. Quando ele aproximou-se da igreja, viu que quem estava no púlpito pregando era o seu amado avô. Quando ele viu a aproximação de Spurgeon ele disse: “Aí vem o meu neto! Ele pode pregar o Evangelho melhor do que eu, mas ele não pode pregar um Evangelho melhor, você pode, Charles?”

Enquanto Spurgeon fazia o caminho em direção ao altar ele respondeu: “Você pode pregar melhor do que eu. Suplico que continue”. Mas seu avô não concordou e passou o sermão para Spurgeon. Não deveria começar um novo assunto, devia tomar o sermão e continuar onde seu avô havia parado e assim ele fez.

O texto que estava expondo era Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”.  Seu avô disse: “Charles, eu estava pregando em ‘Porque pela graça sois salvos.’ Eu estava estabelecendo a fonte e manancial da salvação. E agora estou mostrando-lhes o canal do mesmo, através da fé. Agora você o eleva e prossiga”.

Spurgeon pegou o sermão e continuou expondo a seguinte sentença: “por meio da fé”. Quando ele foi para o próximo ponto, “E isto não vem de vós”, enquanto mostrava a incapacidade e a depravação humana e a certeza de que a salvação não poderia ser de nós mesmos, Spurgeon sentiu a aba do seu casaco ser puxada e a voz do seu avô dizendo: “Eu conheço mais acerca disto, queridos amigos”. E retomou o sermão expondo a depravação humana. Segundo o testemunho de Spurgeon:
“E assim, ele assumiu a parábola, e pelos próximos cinco minutos estabeleceu uma descrição solene e humilhante de nossa perdição, a depravação de nossa natureza e a morte espiritual sob a qual fomos encontrados”.

E ainda: “Quando ele disse o seu exemplo de uma forma muito graciosa, seu neto foi autorizado a prosseguir novamente, para grande satisfação do querido velho, pois de vez em quando ele dizia, em tom suave: “Bom! Bom!” Uma vez ele disse: “Diga-lhes isto de novo, Charles”. E, claro, eu lhes disse isso de novo! (...) Nosso acordo nas coisas de Deus tornou fácil para nós sermos pregadores conjuntos do mesmo discurso!”.

O testemunho de Spurgeon acerca do seu avô foi: “Se o meu avô pudesse retornar à Terra, ele me encontraria onde ele me deixou – firme na fé e fiel a essa forma de Doutrina que uma vez foi entregue aos santos.

Que Deus nos ajude a sermos fiéis à Sua Palavra e que o nosso evangelho seja o mesmo desses santos, dos quais o mundo não era digno.

Rikison Moura



[1] História contada por Spurgeon em seu sermão tudo de graça (nº 3479).